23/04/2010

Graça da feira

A estátua branca se fundia com o céu branco.
A mulher era beijada por um corpo invisível
O filho andava na garupa do pai
A feira estava em ordem
Quadros
Antiquários
Livros
Fontes
Flores
Tudo permanecia como o tempo, imutável
Sonho alto de guerra
Feliz tragédia

Use própolis para disfarçar quem você é.
A graça é para todos.

Pingo

Pingo
Pingou
Pingadeira
Pinguinhos
Pingão
Pingando
Pingava
Pingará
Pingões
Pin
Go
Go away

Flores e a chuva

Eu caminhava pela João Teles e pisava nas folhas que representam o outono
Mas é primavera
Eu comia um bife mas pensava que era peixe
Eu relembrava sozinha sentada na mesa da Lancheria do Parque o que não tinha acontecido no Rio de Janeiro
Eu escutava as conversas dos tiozinhos e tomava um suco pensando que era água
Eu estava tão distraída que disse oi pra quem não conhecia
Eu que não era mais eu só tinha um desenho sobre a mesa, um livro na cabeceira
Eu que ando tão distraída não via que chovia
E só restavam as flores mortas e a chuva.

14/04/2010

Condenados

Desejo que todos os Santos caiam de seu altar
Carrego a Cruz que um dia não foi minha
Estou indecisa entre o céu e o inferno
Sou complacente com covardes e moribundos
Espírito maldito sai desta vida que não te pertence
Pega o que é teu e sai fora!
Espírito maldito você é!
E em nome de Jesus eu te mando de volta para o inferno, eu te piso, eu te esmago na sola do meu salto alto.
Mentiroso desgraçado sem graça.
Glória a Deus que me salvei de ti, imundo mentiroso.
Monstro sombrio de ataques frios.
Orações para libertação.

As aves pretas e feridas do teu espírito ainda cruzam pelos meus olhos simplesmente quando lembram de ti.
Você, moribundo mentiroso não tem luz deste mundo, vive nas trevas.
Beija corpos velhos e nojentos, pele morta e caída.
São as mãos enrugadas que te fazem carinho nesse teu corpo vazio.
Você tem o espírito de covardia, você nunca será forte ou ativo. Nunca.
Vive como velho com uma velha e recusa a vida, as flores e o amor.
Deite no caixão de uma vez.
Pegue as enfermidades desta tua vida e carregue as doenças do mundo.
Não me faça perder o meu sono jovem jamais.
Nenhuma condenação há para os que já foram condenados pela minha Cruz.

Você se inclinou pela carne pecaminosa
Está na prisão das almas
O teu inferno é real, basta voltar pra casa

Nenhuma condenação há para os que já foram condenados pela minha Cruz.

Meu anos

Aos sete meses nadava no útero da minha mãe
Quando nasci chorei pouco
Aos dois anos comi um pirulito cheio de formigas
Aos três acreditava em Papai Noel
Aos quatro tentava descobrir onde estava o coelhinho da Páscoa
Aos cinco já sabia ler e escrever
Aos seis descobri que era míope
Aos sete comecei a escrever
Aos oito eu ganhei uma ovelha e um coelho de verdade
Aos nove eu levava cereais na mochila pra comer no recreio
Aos dez organizei uma peça de teatro na escola
Aos onze queria pintar telas e pintei a parede do meu quarto
Aos doze lia Nietzsche
Aos treze virei poeta
Aos catorze quebrei meu óculos
Aos quinze pulava a janela do quarto pra ver meus amigos tocarem violão na praça
Aos dezesseis usei 'coisas' ilícitas
Aos dezessete conheci meu primeiro amor
Aos dezoito perdi a virgindade
Aos dezenove terminei meu livro de poesias
Aos vinte queria largar a faculdade e fazer filosofia
Aos vinte e um terminei a faculdade de jornalismo
Aos vinte e dois morei em Florianópolis e comecei mestrado
Aos vinte e três achei que ia morrer
Aos vinte e quatro vi que sobrevivi
Aos vinte e cinco me perdi na vida
Aos vinte e seis criei O Estranho
E agora aos vinte e sete sou tudo aquilo que fui até agora.

03/04/2010

Pontos Finais

Minhas lágrimas escorrem pelo meu rosto como se fosse tua mão me fazendo carinho. Morri....

I wish

Eu não consegui mais te esquecer embora quisesse,o plagio da minha letra me torna fraca.
Para sempre o aplauso de um final de show, um adeus para uma partida, um silêncio para uma saudade.
Minhas lágrimas escorrem pelo meu rosto como se fosse tua mão me fazendo carinho.
Minha dor no coração parece o teu rosto encostado no meu peito. Meus sussurros de angustias parecem os beijos calados. Eu que não posso viver desse jeito, nesse vácuo a espera de um fantasma.
Estou ficando vazia de ilusões, estou morrendo lentamente com os dias, e quando eu chegar até o dia 8 de abril, serei uma morta-viva. Time. Faltam três dias e eu me arrasto pelas esquinas, pelas ruas esburacadas, pela vida vivida.
Como será o amanhã? No que eu me transformei?
Quero pintar essa dor e entender as cores, não a tela.
Minhas lágrimas ainda escorrem, e eu? Recebo teu carinho?

acho que só um violino pra apagar essa dor.
Queria que fosse eterno e nada disso fosse realidade.
eu me escondo e me encolho, me cubro com lençóis até a cabeça.
Antes eu desejava, agora eu quero dormir.
Adeus Valentine.
Queria dar um banho de vodka no meu coração para ele entrar em coma induzido.

Reverso do verso da mente que mentia

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